Marcelo Segurado lembra da montagem de 2012 do Goiás e quebra o silêncio ao falar sobre sua saída do clube

Em entrevista para a Rádio Sagres 730, o gestor de futebol Marcelo Segurado hoje no Ceará abriu o jogo e quebrou o silêncio ao falar sobre sua saída do Goiás e também da montagem do elenco de 2012.

“Eu já estava no Goiás há muitos anos. O Goiás foi fundado na casa dos meus avós, eu cresci ali dentro, tenho uma história no Goiás. Então quando eu fui para o departamento de futebol, sempre existem críticas e de pessoas que não conhecem o Goiás que criticam antes de ver o trabalho. Eu já tinha uma ideia de Goiás e naquele momento ninguém conhecia melhor o clube do que eu. Eu era superintendente administrativo e geral do Goiás, talvez eu não tivesse experiência de ser dirigente de futebol, mas no futebol eu estava há muito tempo”.

“Nós trouxemos o Enderson, foi outro paulada porque ninguém conhecia também. Em 2011 pegamos o time muito mal e em 2012 foi aquilo. A cada contratação que a gente fazia, quando a gente anunciava Ricardo Goulart, Sasha, Walter… nós apanhamos de mais ao trazer o Walter e ainda fui buscar o David no Vila. Nós fomos montando uma equipe, não um time. Em 2013 nós mantivemos uma base, mas perdemos o Wallter, Goulart e Egídio que eram as sustentações”.

“Não fomos à Libertadores por um vacilo nosso como um todo. A cirurgia do Enderson, a minha cirurgia e eu não pude ir naquela reta final, a não renovação de contrato com a maioria dos jogadores para o ano seguinte, isso fez com que naquela reta final em 2013 os jogadores não tivessem o mesmo comprometimento. Vejo as pessoas falando “ah, porque o time não quis”, mas nada disso o que houve foi uma perda de comprometimento na medida em que a maior parte dos jogadores não estavam se vendo num próximo ano em uma Libertadores. Isso foi um desgaste grande com o presidente, porque entendíamos que tinha que ter esse processo de renovação para irmos para a Libertadores. Em 2014 o trabalho deveria continuar com o Enderson, mas ele viu que o desgaste estava grande e não ficou. Em 2014 eu fiquei com o Drubscky e foi um ano que fizemos com muito pouco dinheiro. Era momento em que eu estava mais maduro e se tivéssemos dado uma continuidade em 2015, talvez poderíamos ter feito algo bacana no Goiás”.

– Se você estava se sentindo preparado, por que não continuou?

“Não me quiseram mais. Até hoje o Dr. Sérgio Rassi, que é meu amigo, não soube me explicar e disse que um dia eu irei saber. Eu tenho uma boa relação com seu Hailé, então acho que foi o desgaste mesmo, acho que tinham outras pessoas dentro do clube que queriam o meu lugar. Talvez tenha sido bom, para eu ir para outro lugar e ter a oportunidade de mostrar meu trabalho, mostrar que podemos trabalhar em outro lugar e também fazer um trabalho bacana”.

– Logo depois que você saiu, entrou o Harlei. Como é sua relação com ele?

“O período que eu estive no Goiás foi praticamente o período que ele esteve. Eu digo para você, a minha relação com ele foi sempre muito boa até 2013, aí depois deu uma distanciada mas nunca foi muito ruim. Em 2014 realmente nos distanciamos bastante, foi o ano que ele estava pensando em parar e ali tinha um processo natural de pensarem no Harlei como executivo de futebol do Goiás por tudo que ele tinha passado e pela história dele no Goiás. Mas eu acho que ele deveria ter se preparado, desintoxicado da história de ser jogador. Mas isso serve de aprendizado para ele, tenho certeza que hoje ele está bem mais maduro do que naquela época”.

– Você saiu do Goiás magoado?

“Sai do Goiás magoado em função de não saber o motivo, motivo pelo qual ninguém me explicou, ninguém me falou. Mas essa mágoa é momentânea, porque eu não via outro motivo, eu estava crescendo. Fiquei um tempo sem ir ao Goiás, mas hoje vou normalmente, quando estou em Goiânia vou à HP ver seu Hailé, converso muito com o Mauro Machado e também com o Marcelo Almeida e são pessoas que tenho um carinho muito grande”.