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De uma “quase depressão” a artilheiro do Goiás: Pedro Raul revela drama vivido antes de chegar ao Verdão

Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

Pedro Raul é o grande nome do Goiás Esporte Clube nessa temporada e virou artilheiro isolado do Brasileirão, com 14 gols, ao marcar duas vezes na vitória do Esmeraldino por 2 a 1 sobre o Santos, segunda-feira passada. Depois de passagens por Vitória de Guimarães, Atlético-GO, Botafogo, Kashiwa Reysol, do Japão, e Juárez, do México, reencontrou a felicidade e viu seus planos, enfim, darem resultado vestindo a camisa do Goiás. Mas até esse momento, o jogador enfrentou diversos dificuldades, como uma quase depressão.

Artilheiro do Goiás, Pedro Raul enfrentou a depressão

Goiás
Foto: Leandro Bernardes

Em fevereiro de 2021, Pedro deixou o Botafogo, onde fez 12 gols em 39 jogos, por pouco mais de R$ 10 milhões rumo ao Kashiwa Reysol, treinado pelo brasileiro Nelsinho Baptista – um valor que faria a diferença no clube carioca, ainda em reconstrução e com uma temporada de Série B pela frente. O choque cultural, porém, começou antes mesmo da viagem.

Do dia em que o Botafogo conclui minha venda até a viagem, dá um mês, fico um mês treinando no Rio de Janeiro com um fisioterapeuta. Já começou aí o choque. E aí quando chega lá é quarentena, fica 15 dias preso no hotel, começa a treinar, você fala e o cara não entende nada do que você fala, é tudo muito difícil. Foi uma das coisas mais loucas que já vivi, é um país muito legal, apesar de ser muito diferente, é uma cultura em que se aprende muito – lembrou Pedro Raul, em entrevista ao GE.

Uma luxação no ombro logo em seu primeiro jogo era o prenúncio de tempos difíceis. Foram dois meses parado, sem treinos e praticamente sem contato com as pessoas mais próximas no Brasil por causa das 12 horas de diferença no fuso horário. Ele morava sozinho em Kashiwa, a 50 quilômetros da capital Tóquio.

Depois da recuperação, novo percalço: Pedro Raul recebeu uma oferta para voltar ao Brasil, mas passou a ficar fora dos planos de Nelsinho na sequência da temporada. Sem jogar e ainda limitado pelas restrições da pandemia, ele não conseguiu nem cumprir objetivos mais palpáveis: assistir a eventos das Olimpíadas em Tóquio, por exemplo. Aos poucos, então, a cabeça pesou. E Pedro Raul acusou o golpe.

Quando você está passando por tudo isso e tem a oportunidade de voltar, como é que você não vai querer? Comuniquei (o técnico), ele não gostou, e acabou que fui perdendo espaço na equipe da noite para o dia, até que eu decidi que não tinha mais como ficar, por questões psicológicas também – explicou o atacante do Goiás.

Estava entrando quase num caso grave de depressão, tive que fazer psicólogo, psiquiatra, e tudo isso foi pesando no meu dia a dia – completou.

Pedro Raul entrou em contato com um psiquiatra de Porto Alegre, que, a distância, ajudou na recuperação do jogador. Ele também montou uma academia em casa e fez o possível para não “pirar”, apesar da decisão já tomada de não ficar no Japão.

Eu tive que buscar esse auxílio, essa questão no clube era um negócio que atrapalhava. Por mais que eu me esforçasse, tinha essa situação de ter perdido espaço na equipe por um negócio banal, rotineiro no futebol. Não sei se fez parte do meu processo, se foi uma casualidade, mas me fez crescer como pessoa, hoje sou um cara muito mais forte mentalmente para sustentar o futebol, porque exige muito de ti. Essa parte foi crucial para meu crescimento – definiu o jogador.

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